Com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o Brasil amplia o interesse de investidores estrangeiros
A mineração brasileira vive um momento estratégico de reposicionamento no cenário global, impulsionada pela demanda por minerais críticos e pela necessidade de maior segurança jurídica e técnica para investidores. Em debate recente, especialistas do setor destacaram que a adoção de declarações técnicas internacionais não é apenas um protocolo, mas a “linguagem” essencial para quem busca capital em bolsas de valores como as de Toronto e Austrália.
De acordo com Bernardo Viana, geólogo e sócio-fundador da GE21 esses padrões não são burocracia, são credenciais. “É uma obrigação do minerador seguir essas melhores práticas se ele quiser se comunicar com o mercado”, disse.
Empresas como Bravo Mining, Lithium Ionic e Clara Minerals são citadas como exemplos de companhias que estruturaram suas informações técnicas de acordo com esses critérios, viabilizando captações e o avanço de projetos. Em mercados internacionais, a exigência por dados transparentes, rastreáveis e auditáveis é considerada determinante para a tomada de decisão.
Na edição mais recente do PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), em Toronto — o maior evento de exploração mineral do mundo — o Brasil chegou com uma carteira de 35 projetos de minerais críticos avaliados em US$ 5,5 bilhões (R$ 27,5 bilhões na cotação atual), segundo a Associação para o Desenvolvimento da Mineração (ADIMB).
Francisco Alves, editor da revista Brasil Mineral, notou que o interesse pelo país cresceu de forma perceptível. A razão não é difícil de entender: o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, além de depósitos relevantes de lítio, grafite, nióbio e cobre — exatamente os minerais que a transição energética global está colocando no topo da lista de prioridades estratégicas.
Apesar desse cenário, especialistas alertam que potencial geológico não se traduz automaticamente em projetos viáveis. Sérgio de Oliveira, também da Brasil Mineral, ressalta que a ausência de avaliações técnicas consistentes pode comprometer a credibilidade de empreendimentos, especialmente no caso de projetos de pequeno e médio porte.
Viana completou o raciocínio com um dado que tende a surpreender quem chega ao setor de fora: projetos que hoje são considerados valiosos levaram, em média, mais de 15 anos de desenvolvimento e pesquisa para chegar até aí. A estruturação técnica correta desde o início não é detalhe — é o que separa um ativo real de uma mera expectativa de direito. Investidor experiente sabe disso. E é exatamente por isso que a transparência técnica, mais do que qualquer argumento de venda, é o que define se o Brasil entra de vez nesse jogo ou continua só acenando da arquibancada.
O encontro serviu como preparação para a próxima edição da Brasmin, Feira da Indústria de Mineração, que será realizada em Goiânia entre os dias 15 e 17 de junho de 2027, onde temas como certificação técnica e exploração mineral devem permanecer no centro das discussões do setor. Assista ao debate na íntegra no canal da PROMA Feiras no YouTube.
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