NOTÍCIAS

A regulação que pode mudar as regras do jogo para pequenos e médios mineradores

ANM vai discutir resolução sobre garantias financeiras para a execução do fechamento de minas

A Agência Nacional de Mineração (ANM) tem na agenda regulatória de 2025-2026 uma das normas mais aguardadas e debatidas do setor: a resolução que vai exigir garantias financeiras para o fechamento de minas. A previsão consta do planejamento regulatório da agência para o biênio, ao lado de outros temas como simplificação de outorgas e declaração de utilidade pública. Para muitas empresas, especialmente as de médio e pequeno porte, o tema ainda parece distante.

O problema de fundo é concreto: quando uma mina encerra as atividades sem que o responsável execute o plano de fechamento, quem arca com a recuperação ambiental é o Estado, e por consequência, a sociedade. Só em Minas Gerais, há cerca de 400 minas paralisadas ou abandonadas, e países com tradição regulatória mais sólida, como Canadá e Austrália, já exigem depósitos-caução ou seguros-garantia desde a fase de prospecção.

A minuta de resolução prevê a exigência de garantias antes do início das atividades, com três modalidades aceitas: fundo de provisionamento, seguro garantia e carta de fiança bancária. Para minas em operação com mais de cinco anos de vida útil, o prazo para adequação seria de doze meses. As garantias seriam compostas progressivamente e reavaliadas a cada cinco anos, com cobertura total em até quinze anos.

Na prática, isso significa que as empresas precisarão comprovar, antes de minerar, que têm como financiar o encerramento da operação. Para grandes mineradoras, a exigência é absorvível. Para pequenas e médias, pode ser um obstáculo real. Durante as reuniões participativas promovidas pela ANM, mineradores de menor porte demonstraram forte resistência à medida, com preocupações centradas na falta de condições financeiras, nas dificuldades de acesso a crédito e nos impactos na viabilidade dos empreendimentos.

Parte do setor questiona ainda a base técnica da proposta: a Análise de Impacto Regulatório apresentada aponta o abandono de minas como o problema central, mas sem evidências claras de sua ocorrência em escala relevante. O argumento é que as obrigações financeiras pesadas podem impactar de forma desproporcional empresas de médio e pequeno porte e dificultar a análise de viabilidade de novos projetos. A crítica tem fundamento, e deve fazer parte da interlocução do setor com a agência enquanto a norma ainda está sendo construída.

Estudos da ANM indicam que técnicas de bioengenharia de solos e metodologias de baixo custo podem reduzir as despesas de fechamento em até um terço em relação aos métodos de engenharia pesada, o que amplia o espaço para que empresas menores se adequem sem comprometer a operação.

Outro passo relevante é participar ativamente das consultas e audiências públicas que a Agência ainda deve promover antes de editar a resolução final. A norma em elaboração não está fechada, e a voz do setor produtivo, com dados concretos e propostas técnicas, tem peso real na modelagem do texto final.

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn

LEIA MAIS:

Processo Industrial estreia na Brasmin com produtos destaques para a mineração

9 de junho de 2025

Bertech apresenta duas marcas para indústria com forte rendimento

29 de maio de 2025

Fabricantes ainda precisam convencer sobre reciclabilidade

16 de junho de 2026

Obrigado pela sua mensagem!
Nossa equipe logo entrará em contato.