Avanço veio por conta de um conjunto restrito de commodities — ouro e o cobre foram os que mais subiram
O setor mineral abriu 2026 em ritmo positivo. O faturamento chegou a R$ 77,9 bilhões no primeiro trimestre, alta de 6% sobre o mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) em 15 de abril. O número não surpreende quem acompanha o desempenho do ouro e do cobre nos últimos meses, mas consolida uma tendência que o setor não pode ignorar.
O minério de ferro ainda domina, mas começa a dividir espaço. O produto concentrou 48% do faturamento, com R$ 37,5 bilhões, mas registrou queda de 3% no período. Ouro e cobre foram na direção oposta: o primeiro saltou 45%, a R$ 13,5 bilhões, e o segundo subiu 28%, a R$ 10,3 bilhões. É uma mudança de composição relevante para quem planeja investimentos nos próximos anos.
Por trás da alta do ouro está um movimento global. A valorização está ligada ao aumento da procura por ativos considerados mais seguros em meio a instabilidades geopolíticas e econômicas. Já o cobre tem uma lógica diferente: é metal base para praticamente toda a cadeia de eletrificação, e a demanda pressiona a oferta. A Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o mercado global de cobre pode enfrentar um déficit de oferta de até 30% até 2035, caso novos projetos não avancem no ritmo necessário.
No câmbio externo, o desempenho do setor foi ainda mais expressivo. As exportações minerais atingiram US$ 11,4 bilhões (R$ 56,61 bilhões na cotação atual), crescimento de 21,5% em valor, e 87,9 milhões de toneladas, alta de 0,9%. O ouro se destacou nas vendas ao exterior, com US$ 2,34 bilhões (R$ 11,62 bilhões) exportados, avanço de 89,3%. O cobre alcançou US$ 1,59 bilhão (R$ 7,89 bilhões), alta de 65,7%.
O peso da mineração na balança comercial do país também chama atenção. O setor respondeu por 66% do superávit comercial brasileiro no trimestre, gerando US$ 9,29 bilhões (R$ 46,13 bilhões) de saldo positivo dentro de um total nacional de US$ 14,17 bilhões (R$ 70,36 bilhões). São números que colocam a mineração numa posição difícil de ignorar em qualquer debate sobre política econômica.
Além do faturamento, o setor cresceu em emprego e arrecadação. Os empregos diretos chegaram a 230.011 em fevereiro, avanço de mais de 9.000 vagas em 13 meses. A arrecadação de impostos e tributos somou R$ 26,9 bilhões, alta de 5,5%. Minas Gerais e Pará lideram tanto o faturamento quanto a arrecadação de CFEM.
A perspectiva para os próximos anos é de expansão. A previsão de investimentos do setor mineral para o período 2026-2030 é de R$ 381,84 bilhões, aumento de 12,5% sobre a estimativa anterior. Dentro desse montante, minerais críticos devem receber R$ 105,76 bilhões até 2030, o que reflete diretamente a aposta do setor na transição energética como vetor de crescimento.
Esse cenário de expansão e diversificação da pauta mineral é exatamente o pano de fundo que torna o debate técnico e de negócios da Brasmin 2027 ainda mais estratégico. Com ouro, cobre e minerais críticos ganhando peso, as empresas que chegarem ao evento com projetos maduros e posicionamento regulatório claro estarão um passo à frente. Inscrições e mais informações em: brasmin.com.br.
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