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A tecnologia que está mudando a segurança nas minas brasileiras tem investimentos bilionários até 2029

Parte crescente desse capital vai para automação e ferramentas que reduzem a exposição humana ao risco

Em janeiro de 2019, o rompimento da barragem de Brumadinho matou 270 pessoas e expôs um problema estrutural do setor mineral brasileiro: boa parte das operações ainda dependia de inspeções manuais periódicas, sem monitoramento contínuo das estruturas. Seis anos depois, o Brasil chegou a um marco de sete anos sem novas rupturas de barragens de mineração, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). Não foi coincidência. Foi, em parte, resultado de uma virada tecnológica que combinou regulação mais rígida com adoção acelerada de sensores, drones e sistemas digitais de monitoramento em tempo real.

O setor mineral brasileiro prevê investimentos de US$ 68,4 bilhões (R$ 340 bilhões na cotação atual) entre 2025 e 2029, aumento de 6,6% em relação ao ciclo anterior, conforme estimativa do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Minas Gerais e Pará concentram a maior fatia desses aportes. Uma parcela crescente desse capital está indo para automação, digitalização e segurança operacional.

A mudança mais visível aconteceu na gestão de barragens. A Resolução ANM nº 95/2022 estabeleceu a obrigatoriedade do monitoramento contínuo e dos planos de emergência com critérios técnicos alinhados a padrões internacionais. Em outubro de 2025, a norma foi atualizada pela Resolução ANM nº 220, que criou um sistema digital integrado — o SIGBM — como único canal oficial para envio de documentos obrigatórios, além de indicadores específicos de risco e faixas de desempenho mensuráveis para cada estrutura.

Na prática, isso significa que piezômetros automatizados, inclinômetros, sensores de pressão e câmeras de alta resolução passaram a transmitir dados em tempo real para centros de controle. Drones equipados com sensores LiDAR e câmeras multiespectrais substituíram parte das inspeções físicas em locais de difícil acesso, gerando séries históricas consistentes e detectando variações de umidade, deformações e surgências com precisão que o olho humano não alcança. O relatório de segurança da ANM publicado em março de 2026 aponta avanços contínuos nessa modernização tecnológica e regulatória.

Fora das barragens, a automação avança nas frentes de lavra. Os caminhões autônomos são controlados por sistemas computacionais, GPS, radar e inteligência artificial, percorrendo rotas entre a frente de extração e as áreas de descarga sem condutor a bordo. Segundo dados da Mining Technology Solutions, os sistemas de gerenciamento de frotas com automação são responsáveis por gerenciar 50% da produção mineral nacional. Os ganhos de produtividade variam entre 10% e 40%, dependendo da complexidade da operação.

No Corredor Norte do Pará, a frota de caminhões autônomos será expandida para aproximadamente 90 unidades até 2028, com ganhos de até 15% no rendimento operacional e redução de até 7,5% no consumo de combustível em relação às operações convencionais, conforme dados da própria empresa. Desde o início da operação autônoma na região, em 2019, mais de 260 profissionais já foram capacitados para as novas funções criadas pela automação. O ponto central não é apenas eficiência: é tirar trabalhadores de ambientes com risco direto de acidente.

O monitoramento geotécnico em tempo real conecta sensores de campo a plataformas digitais em nuvem. A lógica é simples: em vez de reagir a falhas, o sistema identifica anomalias antes que se tornem incidentes. Piezômetros medem pressão interna de barragens, inclinômetros detectam movimentações no terreno, sensores de vibração registram esforços excessivos nas estruturas. Quando os dados fogem dos parâmetros definidos, alertas são emitidos automaticamente para os centros de controle, que podem acionar protocolos de emergência sem depender de inspeção presencial.

Drones com câmeras térmicas e sensores multiespectrais são usados para mapear áreas de mineração, calcular volumes de pilhas, identificar infiltrações e monitorar condições de taludes. Rotas autônomas e repetíveis permitem criar comparações históricas precisas ao longo do tempo, o que é fundamental para identificar tendências de deterioração estrutural antes que atinjam um ponto crítico. O IBRAM registrou, em sua publicação sobre Transformação Digital na Mineração, o avanço expressivo desses sistemas no Brasil a partir de 2022.

O cenário atual não elimina o risco de acidentes na mineração, mas muda o patamar do problema. A tecnologia disponível hoje é capaz de afastar o trabalhador do ponto de maior perigo, monitorar estruturas que antes dependiam de visitas mensais e reagir a anomalias em minutos.

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