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Índia amplia compras de minério brasileiro e reacende debate sobre diversificação de mercados

País asiático importou cerca de R$ 2,2 bilhões em minério de ferro do Brasil em 2025, após dois anos sem compras relevantes

A Índia voltou a comprar minério de ferro do Brasil em volume expressivo. Em 2025, as importações indianas do produto somaram cerca de US$ 440 milhões (aproximadamente R$ 2,2 bilhões na cotação atual), segundo dados da CNN Brasil com base em registros setoriais. O número é mais do que simbólico: em 2024, o país praticamente não havia realizado compras relevantes do minério brasileiro, e o valor acumulado em um único ano superou o total registrado entre 2017 e 2024. A retomada coloca-os no centro das atenções de quem acompanha o mercado mineral brasileiro.

O que mudou foi a velocidade da industrialização indiana. A demanda por aço no país cresceu de forma acelerada nos últimos anos, puxada pela expansão da construção civil, pelo desenvolvimento de infraestrutura e pelo avanço do setor industrial. O governo local tem implementado programas de urbanização em larga escala e obras públicas que exigem quantidades crescentes de aço, o que eleva, consequentemente, a necessidade de minério de ferro de maior qualidade. O Brasil, segundo maior produtor mundial da matéria-prima, atrás apenas da Austrália, tornou-se um fornecedor natural nesse cenário.

O volume de embarques de minério de ferro com destino aos portos indianos aumentou de forma consistente ao longo de 2025, absorvendo parte da tonelagem global disponível. Segundo o Brasil Mineral, esse fluxo vem ganhando relevância dentro da cadeia de frete internacional, especialmente para navios Capesize, que operam as rotas de longa distância entre o Brasil e a Ásia. A recuperação das tarifas de frete nesse segmento está diretamente ligada ao aumento dos embarques.

Em fevereiro de 2026, o movimento ganhou contornos diplomáticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Nova Délhi e, junto ao primeiro-ministro Narendra Modi, assinou um memorando de entendimento entre os ministérios do Aço da Índia e de Minas e Energia do Brasil para ampliar a cooperação em mineração. O acordo prevê o fortalecimento do fornecimento de minerais necessários à produção de aço e estabelece um eixo de colaboração que vai além das compras pontuais.

A Vale, maior mineradora nacional, foi além do protocolo institucional. A empresa assinou um MoU com a estatal indiana NMDC Limited e a Adani Gangavaram Port Limited para criar uma instalação de blendagem e comercialização de finos de minério de ferro no Porto de Gangavaram, no litoral leste da Índia. A operação prevê infraestrutura portuária dedicada, com descarga, mistura e recarregamento do produto. É uma aposta de longo prazo na consolidação do fluxo comercial entre os dois países.

Apesar da visibilidade dos minerais críticos e terras raras nas discussões bilaterais, analistas ouvidos pela CNN Brasil são categóricos: o impacto comercial concreto, no curto prazo, continua sendo do minério de ferro e do cobre. Lítio, nióbio e outros minerais estratégicos ainda envolvem cadeias incipientes nos dois países e têm participação limitada no comércio atual. A agenda de transição energética existe, mas caminha em ritmo distinto da demanda siderúrgica, que já se reflete nos números.

Do lado indiano, a motivação é clara. A Índia tem capacidade instalada de 218 milhões de toneladas métricas de aço por ano, segundo a Reuters, e as empresas locais seguem ampliando essa capacidade para atender ao crescimento interno. O país também busca diversificar fornecedores e reduzir a dependência da China em minerais críticos, o que torna a parceria com o Brasil estrategicamente atraente. Modi foi preciso ao afirmar que o acordo em minerais críticos é um passo para a construção de cadeias resilientes de suprimento.

Para o Brasil, a equação é igualmente favorável. As exportações brasileiras de minério de ferro ultrapassaram pela primeira vez a marca de 400 milhões de toneladas embarcadas em 2025, segundo a CNN Brasil. A retomada das compras indianas ajuda a compensar o enfraquecimento da demanda chinesa, que enfrenta um setor imobiliário estagnado e margens comprimidas na siderurgia. A diversificação geográfica dos destinos do minério brasileiro deixou de ser apenas uma estratégia desejável e passou a ser uma realidade em curso.

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