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Mineração brasileira vive novo ciclo de expansão

Investimentos, infraestrutura, exportações e novas oportunidades em minerais estratégicos redesenham as perspectivas para o setor no país

A corrida global por minerais críticos, os efeitos da transição energética e a atração de investimentos para projetos no Brasil têm marcado a indústria brasileira de mineração ao longo de 2026. Em seu caderno temático voltado ao setor, lançado em agosto, o Valor Econômico abordou uma série de questões que ajudam a compreender o cenário, os investimentos, as tendências e as projeções para a mineração nacional. A publicação trouxe discussões relevantes relacionados  às movimentações em torno das commodities estratégicas que o país tem a oferecer.

Entre as notícias destaca-se a redução de até 50% do custo logístico que mineradoras podem ter com as novas ferrovias e hidrovias contempladas no pipeline de concessões federais. Trata-se de uma margem significativa, considerando os desafios que companhias de médio e pequeno porte enfrentam com transporte de grandes volumes de minério, e demais questões voltadas à infraestrutura. Segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), os custos logísticos no Brasil equivalem a 15,6% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual que supera a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 8,4%.

Alta de exportações de ferro

Com 189,4 milhões de toneladas (Mt) exportadas no primeiro semestre de 2026, o minério de ferro registrou crescimento de 2,4% em volume em relação ao mesmo período do ano anterior. A movimentação gerou uma receita de US$ 13,43 bilhões, alta de 5,2% ante o primeiro semestre de 2025, refletindo não apenas o avanço das exportações, mas também a valorização da commodity. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o preço médio alcançado até a metade do ano foi de US$ 104,75 por tonelada. A projeção é de que os investimentos em mineração de ferro no Brasil alcancem US$ 19,8 bilhões até 2030.

Alumínio e bauxita mantém otimismo

O alto grau de verticalização da cadeia e a força de tendências como a transição energética têm sustentado a produção de alumínio primário. A indústria brasileira de alumínio e bauxita produziu, em 2025, 1,1 milhão de toneladas, o maior volume registrado nos últimos 12 anos. Embora o número ainda não represente o pico alcançado nos anos 2000, quando a produção chegou a 1,6 milhão de toneladas, o desempenho é promissor, apesar dos desafios enfrentados atualmente pelo setor, como o alto preço da energia, a escalada dos conflitos no Oriente Médio e a forte presença da China nas exportações de produtos de alto valor agregado, consolidada como principal origem das importações do mercado nacional.

Níquel amplia perspectivas

Após um período de excesso de oferta e queda nos preços provocada por fatores econômicos, o mercado global de níquel tem se recuperado e oferecido ao Brasil perspectivas otimistas para 2026. Além da alta de 12% no preço da commodity neste ano, segundo o Banco Mundial, a recuperação também é impulsionada pela crescente demanda no longo prazo, estimada em 80% até 2040, de acordo com projeção da International Energy Agency (IEA). A competitividade do país diante da demanda por fontes renováveis e o potencial de desenvolvimento de minerais críticos e estratégicos, impulsionados pela transição energética, são apontados por especialistas como fatores que sustentam esse cenário.

Planos para o urânio

A fim de aumentar a produção de urânio no país, o governo brasileiro prepara a regulamentação para permitir que empresas privadas participem da extração de urânio por meio de parcerias com a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A intenção é manter a INB com pelo menos 20% de participação nos consórcios de mineração, que vão envolver cinco áreas em Goiás, Tocantins, Paraíba, Bahia e Paraná. O governo também criou um grupo de trabalho, coordenado pelo MME, para avaliar reservas e recursos de urânio e definir estratégias para ampliar o conhecimento e o potencial de produção. O grupo terá 90 dias para apresentar suas conclusões.

Projeções para o nióbio

Extraído em grande parte de jazidas localizadas em Minas Gerais, o nióbio está entre os metais que posiciona o Brasil entre os mais relevantes no setor siderúrgico, detendo 98% das reservas mundiais e respondendo por 96,6% da produção global da commodity. Com planos de ampliar infraestrutura e expandir a capacidade produtiva e inovadora do país, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), planeja investir R$ 11 bilhões até 2030, garantindo o fornecimento de nióbio a longo prazo para clientes de todo o mundo.

Onda de investimentos no Brasil

Com a segunda maior reserva global de terras raras, estimada em 11 milhões de toneladas métricas, o Brasil reúne mais de 50 projetos voltados à exploração de minerais críticos, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), ficando atrás apenas da China, que concentra entre 40% e 49% das reservas globais. Nesse contexto, o desafio brasileiro deixa de estar apenas na mineração e passa a se concentrar no desenvolvimento de etapas voltadas ao tratamento e processamento da produção, como a concentração de carbonatos, a separação de óxidos e a fabricação de ímãs de alto desempenho e baterias.

Com potencial redução dos custos logísticos, reservas estratégicas e crescente atração de investimentos internacionais, a mineração brasileira vive um novo ciclo. Esse conjunto de movimentos evidencia novas oportunidades, impulsionadas tanto por commodities tradicionais quanto por tendências emergentes. Ao mesmo tempo, os dados reforçam desafios ainda não superados, relacionados à infraestrutura, aos custos, à energia e à capacidade de avançar nas etapas de processamento e transformação mineral.

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