Rastreabilidade, descarbonização e governança saíram do campo das boas intenções e viraram critério de acesso ao mercado
A mineração brasileira encerrou 2025 com faturamento de R$ 298,8 bilhões e respondeu por 55% do saldo da balança comercial do país, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). Os números colocam o setor em posição de protagonismo no cenário econômico, contudo a manutenção desse desempenho depende de um fator ainda não plenamente atendido por parte das empresas: comprovar, com evidências verificáveis, que suas operações atendem a critérios ambientais, sociais e de governança com transparência.
O estudo Impact Edge, da EY-Parthenon, lançado durante a COP30 em Belém, em novembro de 2025, quantificou o que está em jogo. Segundo o levantamento, a adoção estratégica de práticas ESG pode gerar um incremento de 20,81% na atividade econômica do setor, valor equivalente ao crescimento acumulado dos últimos cinco anos. Em termos absolutos, os ganhos estimados chegam a R$ 399 bilhões adicionais por ano para toda a economia brasileira, considerando os efeitos diretos e indiretos ao longo da cadeia produtiva. O estudo projeta ainda a criação de mais de 3 milhões de novos empregos.
O ponto mais urgente do estudo não é o potencial de ganho, mas o risco de exclusão. Bancos e fundos de investimento internacionais já condicionam o acesso a crédito ao cumprimento de padrões ESG. O comprometimento com práticas concretas de sustentabilidade é o que preserva o acesso das mineradoras aos mercados internacionais e reduz o custo de financiamento das operações, segundo a EY. Na prática, uma empresa que não consegue apresentar relatórios auditados de sustentabilidade, não tem sistema de rastreabilidade da cadeia produtiva ou não monitora suas emissões enfrenta dificuldade crescente para acessar capital verde e fechar contratos com compradores europeus e asiáticos que operam sob regulações ambientais mais rígidas.
Os pontos críticos identificados pelo Impact Edge são quatro: gestão de recursos hídricos, descarbonização de processos intensivos em energia, segurança de barragens de rejeitos, e rastreabilidade das cadeias de suprimentos. Esses temas estão sob levantamento público e regulatório crescente, e competem por capital num contexto de instabilidade geopolítica que reduz o apetite dos investidores ao risco. A mineração que não tiver respostas para essas quatro frentes vai encontrar portas fechadas com cada ciclo de revisão de fornecedores nos principais mercados compradores.
Para uma empresa de médio porte, o desafio é mais concreto do que parece. Não se trata de publicar um relatório de sustentabilidade anual e deixá-lo na gaveta. As iniciativas que o estudo aponta como estruturantes incluem eletrificação de frotas, uso de biocombustíveis e integração de energia renovável nas operações, filtragem e auditoria independente de barragens, reaproveitamento de estéreis e rejeitos dentro de uma lógica de economia circular, restauração de habitats em áreas de fechamento de mina, engajamento efetivo com as comunidades do entorno e implantação de canais de denúncia e políticas anticorrupção. São obrigações que, reunidas, constroem a licença social para operar — um ativo que a operação de menor escala muitas vezes subestima até perder.
O IBRAM, por sua vez, sinalizou na COP30 que o setor quer consolidar o Brasil como referência global em mineração responsável e de baixo carbono. A entidade defende uma governança sólida com rastreabilidade em toda a cadeia e metas verificáveis. O posicionamento institucional é relevante porque cria um padrão de referência que empresas menores podem usar para se alinhar. Mas o alinhamento exige investimento, e o investimento exige crédito. O custo do capital para quem não tem o rating ESG é mais alto. A ironia é que a rota para acessar o financiamento que viabiliza a adequação passa justamente pela adequação que o financiamento exigiria.
Há uma saída para esse cenário: empresas que deixam uma postura reativa — limitada à conformidade regulatória — e adotam estratégias estruturadas de criação de valor compartilhado passam a apresentar resultados mensuráveis capazes de sustentar o financiamento. Eficiência energética reduz custos operacionais; gestão hídrica mitiga riscos regulatórios; rastreabilidade amplia o acesso a mercados. Não se trata de filantropia, mas de lógica financeira — exatamente o tipo de argumento que o mercado de capital verde busca.
É nesse cenário que a Brasmin 2027 ganha relevância estratégica. Com o setor mineral investindo US$ 68,4 bilhões (R$ 341,38 bilhões na cotação atual) até 2029 e a agenda ESG pressionando cada elo da cadeia produtiva, o evento em Goiânia se torna um espaço de troca que vai além de negócios pontuais. É onde pequenas e médias mineradoras encontram fornecedores, tecnologias e debates que fazem a diferença entre estar ou não na prateleira do comprador internacional. Para mais informações e inscrições gratuitas, acesse: brasmin.com.br.
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