Banco vê potencial estratégico do Brasil em terras raras e aposta na reindustrialização ligada à transição energética e novas tecnologias
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, no último dia 12, a intenção de investir até R$ 50 bilhões em projetos ligados a minerais críticos — insumos estratégicos para baterias, equipamentos tecnológicos e a transição energética. O anúncio foi feito pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, durante coletiva em São Paulo para apresentação do balanço trimestral do banco.
Segundo Mercadante, o BNDES analisa atualmente 56 projetos relacionados ao setor. O volume previsto reforça a aposta da instituição na cadeia de minerais essenciais para novas tecnologias, como motores elétricos, sistemas de armazenamento de energia e equipamentos de alta performance.
O Brasil ocupa posição estratégica nesse mercado. O país detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, concentrando cerca de 23% do total global, atrás apenas da China, que possui aproximadamente 45%. Apesar do potencial, a produção nacional ainda é limitada diante da liderança chinesa na fabricação de superímãs e componentes tecnológicos avançados.
Para Mercadante, o avanço do setor depende diretamente de políticas públicas e incentivos. “Isso precisa de subsídio, e é assim no mundo todo”, afirmou durante a coletiva, ao comentar a dependência tecnológica internacional da China em insumos voltados a motores elétricos e aplicações militares.
Além dos minerais críticos, o BNDES informou que vem ampliando sua atuação em áreas consideradas estratégicas, como fertilizantes, bioinsumos para o agronegócio, inteligência artificial, aeronaves elétricas e projetos ligados à Embraer. A inovação aparece como eixo central da estratégia de reindustrialização defendida pelo banco no atual governo.
Os números do balanço trimestral reforçam essa direção. A meta inicial da instituição era liberar R$ 250 bilhões em crédito ao longo do mandato, mas o volume já ultrapassou R$ 300 bilhões, com projeção de atingir R$ 370 bilhões até o fim do período. Segundo Mercadante, o desempenho está diretamente ligado ao foco na retomada industrial do país.
O cenário internacional também entrou no radar da discussão. Mercadante citou o acordo Mercosul-União Europeia, em vigor provisório desde 1º de maio, como uma oportunidade para ampliar negócios em um contexto global marcado pelo aumento do protecionismo comercial — cenário que reforça a importância estratégica do acesso, processamento e domínio tecnológico sobre minerais considerados essenciais para a indústria do futuro.
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