Levantamento do Ministério de Minas e Energia mostra que projetos brasileiros competem com os chineses graças à geologia favorável e ao teor dos depósitos
Os principais projetos brasileiros de mineração de terras raras já operam com custos de produção equivalentes aos das minas chinesas, hoje líderes globais do setor. É o que mostra um estudo divulgado em junho deste ano pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que compara o custo por quilo de óxido total de terras raras, o chamado TREO, entre projetos dos dois países.
Segundo o levantamento, o custo médio na China gira em torno de US$ 30 (R$ 152 na cotação atual) por quilo. No Brasil, o projeto mais caro entre os analisados é o da canadense Aclara, em Nova Roma (GO), com US$ 29,2 (R$ 148,09)/kg, praticamente no mesmo patamar chinês. Os outros dois projetos citados no estudo aparecem com custos ainda mais baixos: US$ 13,07 (R$ 66,28)/kg na mina da australiana Meteoric e US$ 9,3 (R$ 47,16)/kg na operação, também australiana, da Viridis.
Essa proximidade de custos chama atenção porque a China concentra a maior parte da produção mundial de terras raras, elementos usados em ímãs permanentes, baterias e outras tecnologias essenciais para a transição energética. Um dos autores do estudo, Caíque Souza, consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), afirma que o Brasil consegue competir diretamente com os custos chineses dentro da mina, graças à geologia, ao teor dos depósitos e à maior facilidade na etapa de beneficiamento e separação dos minerais.
A metodologia usada no estudo leva em conta os valores de quatro substâncias consideradas mais relevantes entre os 17 elementos classificados como terras raras: neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb). Todos eles têm propriedades magnéticas e são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes, usados desde motores elétricos até turbinas eólicas.
O levantamento foi encomendado pelo MME e conduzido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), com apoio técnico da União Europeia e financiamento do BID. Ele integra um esforço mais amplo do governo para viabilizar a cadeia produtiva de terras raras no país, que já tem uma meta declarada: alcançar 20% da produção mundial até 2040, o equivalente a 380 mil toneladas por ano de TREO.
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