Estudo aponta que o fortalecimento da cadeia nacional, com investimentos estrangeiros e maior processamento no país, ampliar os ganhos econômicos do setor e gerar 750 mil empregos
A cadeia de minerais críticos e terras raras deve agregar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e gerar cerca de 750 mil novos empregos até 2050, segundo pesquisa promovida pela Amcham Brasil, com lançamento previsto para agosto. A análise considera a perspectiva setorial e industrial, estimando impactos positivos para a indústria da transformação, construção civil, bem como para máquinas, automóveis e equipamentos mecânicos.
Elaborado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o estudo também conta com o apoio da U.S. Chamber of Commerce e de empresas do setor e abrange o cobre, grafita, lítio, níquel e terras raras, e outros minerais considerados importantes para a fabricação de veículos elétricos, baterias e tecnologias para renovação de energia.
O levantamento compara dois caminhos para este desenvolvimento. Um deles considera investimentos feitos em grande parte com recursos financeiros internos, cuja produção é voltada principalmente para a exportação, com baixa agregação de valor no País. O impacto acumulado sobre o PIB neste caso seria de R$ 128,7 bilhões, com geração estimada de 304 mil empregos.
Já o segundo cenário define-se por maior participação estrangeira em investimentos feitos sobre a cadeia de minerais críticos e terras raras no Brasil, contando com o desenvolvimento no processamento deste minerais, bem seu uso pela indústria nacional. Este caminho leva a investimentos de R$120,9 bilhões, com impacto acumulado sobre o PIB de R$ 192,1 bilhões e geração estimada de 750 mil empregos.
A comparação mostra que atrair investimentos internacionais e fortalecer a cadeia produtiva nacional, ao passo que avança em fabricação, processamento e desenvolvimento de produtos finais, pode acrescentar R$ 63,4 bilhões ao PIB. A estratégia também elevaria o consumo das famílias em R$ 32,3 bilhões, os investimentos em R$ 16,1 bilhões e criaria 446 mil empregos, além dos ganhos gerados pela expansão da mineração.
A estimativa prevê impactos sobre o PIB sentidos principalmente pelos estados mineradores, com destaque para o Pará, com 16,0%, a Bahia, com 10,3%, Goiás, com 10,0%, o Piauí, com 4,0%, e Minas Gerais, com 3,8%. Estados com maior presença industrial também são beneficiados, com ganhos observados em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
Considerando o segundo cenário, a indústria de transformação apresenta crescimento acumulado de 1,8%, quase três vezes superior ao registrado no primeiro. Já a construção civil cresce 4,5%, enquanto a indústria extrativa 4,2%. Entre os segmentos industriais, máquinas e equipamentos elétricos registram 16,7%, seguidos por máquinas para extração mineral, com 9,8%, automóveis, com 5,5%, e máquinas e equipamentos mecânicos, com 2,9%.
Para Amcham, o potencial estimado só pode ser aproveitado com apoio de políticas públicas capazes de fortalecer a cadeia de minerais críticos e terras raras. A aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, o fortalecimento de instrumentos de financiamento e mitigação de riscos, iniciativas que atraiam capital estrangeiro e desenvolvam processos industriais internos, bem como o encorajamento de investimentos de longo prazo e maior agregação de valor, são apontados como prioridades neste cenário.
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