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Brasil tem 94% das reservas mundiais de nióbio e mira receita de R$ 13,17 bilhões em minerais críticos até 2030

Com 742 áreas de extração em 16 estados, o país concentra reservas relevantes de terras raras em meio à corrida global pela transição energética

O Brasil detém 94% das reservas conhecidas de nióbio no mundo. É o segundo maior detentor de terras raras do planeta, atrás apenas da China. E guarda um potencial subaproveitado de cobre que, segundo projeções do setor, pode render ao país US$ 2,58 bilhões (aproximadamente R$ 13,17 bilhões na cotação atual) em receita até 2030.

A demanda global por minerais críticos cresce no ritmo da eletrificação: mais veículos elétricos nas ruas, mais turbinas eólicas em operação e mais data centers rodando inteligência artificial. Todos esses sistemas consomem cobre, cobalto, nióbio e elementos de terras raras em escala crescente. 

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a demanda mundial por cobre refinado pode crescer 28% até 2035. Para sustentar esse ritmo, a produção global precisaria saltar das atuais 25 milhões de toneladas anuais para pelo menos 40 milhões até 2040. Mesmo assim, o mercado pode registrar déficit de 30% já em 2035.

O Brasil participa desse mercado, mas ainda de forma modesta. O país responde por cerca de 1% da produção mundial de cobre, com aproximadamente 386 mil toneladas extraídas por ano. A maior concentração está no Pará, na região de Carajás, considerada uma das províncias minerais mais ricas do mundo. Goiás vem na sequência como segundo maior produtor nacional.

O problema não é a ausência de reservas. É o estágio em que a cadeia permanece: o Brasil exporta principalmente concentrado de cobre, fase anterior ao refino que agrega menor valor ao produto. O cobre refinado que o país consome vem, em grande parte, de Chile e Peru. Há apenas uma unidade nacional capacitada para a purificação do mineral e o refino secundário, que é o processo de reaproveitamento de sucatas com resultado final acima de 99,9% de pureza. O setor aguarda investimentos da ordem de US$ 8,6 bilhões (R$ 43,91 bilhões) nos próximos seis anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). 

Entre as novas fronteiras mapeadas está o Vale do Curaçá, na Bahia, onde levantamentos aéreos identificaram uma reserva a mais de 8.500 metros de perfuração. Outra região monitorada é o Arco Magmático de Goiás, formado por subducção da crosta oceânica e caracterizado por depósitos extensos de cobre-ouro. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) trata o cobre como prioridade estratégica e conduz novos programas de mapeamento geológico para ampliar as áreas de prospecção.

O projeto mais expressivo em andamento no setor está no Pará. Trata-se de uma mina subterrânea em desenvolvimento na região de Carajás, com potencial estimado de 70 mil toneladas de cobre ao ano. O investimento previsto é de aproximadamente US$ 1,3 bilhão (R$ 6,64 bilhões), com prazo de operação projetado para 2029 e área de exploração de 2.400 hectares.

A distribuição da demanda futura por cobre aponta para três setores principais: construção civil, que pode responder por até 22% do consumo mundial via redes de cabeamento e transmissão energética; transporte, com participação estimada de 14% puxada pela fabricação de veículos elétricos e híbridos; e tecnologia, onde a expansão da inteligência artificial pode ser responsável por metade do crescimento global da demanda na próxima década, segundo projeções da S&P.

O momento geopolítico também pesa. O cobre superou US$ 14.500 (R$ 74.040) por tonelada em janeiro de 2026, vindo de cerca de US$ 12 mil (R$ 61.300) no final de 2025. A oscilação reflete tanto a expectativa de escassez quanto a disputa crescente entre potências industriais pelos minerais críticos. EUA e Europa têm avançado sobre projetos de terras raras no Brasil; a China, por sua vez, adquiriu em 2025 uma mina em Alagoas que havia iniciado operações em 2021, por cerca de R$ 2,8 bilhões.

O Brasil tem geologia. Tem as reservas. O que está em aberto é se vai conseguir avançar na cadeia produtiva a tempo de capturar o valor gerado pela transição energética ou se vai, mais uma vez, exportar a matéria-prima e importar o produto acabado.

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