Compromissos públicos com o setor somaram R$ 331,27 bilhões em 2025, mais de quatro vezes o volume de dois anos antes
A disputa por minerais críticos entrou em uma nova fase. Em vez de competir apenas pela produção disponível, governos passaram a financiar projetos e garantir antecipadamente o acesso a minerais por meio de empréstimos, participação de capital, garantias e contratos de longo prazo. Segundo a Agência Internacional de Energia, esses compromissos públicos chegaram a cerca de US$ 65 bilhões (R$ 331,27 bilhões) nas economias avançadas em 2025, mais de quatro vezes o registrado dois anos antes.
A tendência ganhou escala nos últimos anos. A UN Trade and Development contabilizou 73 acordos internacionais envolvendo minerais críticos, 58 deles firmados desde 2022, além de quase 100 novas medidas de exportação adotadas desde 2020. Enquanto países consumidores procuram assegurar o abastecimento, produtores buscam maior controle sobre seus recursos e mais agregação de valor internamente.
Estados Unidos, Índia, Japão e Austrália estão entre os países que ampliaram políticas minerais estratégicas. Na Austrália Ocidental, por exemplo, o governo americano apoia uma operação de recuperação de gálio com capacidade prevista de 100 toneladas anuais. Índia e Zâmbia, por sua vez, negociam investimentos em cobre e outros minerais diante da crescente dependência indiana de importações.
O Brasil também entrou nesse jogo. Segundo a Bloomberg, a mina de Serra Verde, em Goiás, tornou-se um dos principais projetos para a construção de uma cadeia de terras raras fora da China, com apoio financeiro dos Estados Unidos e contratos de fornecimento de longo prazo.
A consequência é um mercado global mais controlado, no qual parte da produção pode estar comprometida antes mesmo de chegar ao mercado aberto. Para o Brasil, que desponta como alternativa geológica nessa disputa, o desafio será se posicionar em um cenário no qual financiamento, segurança de abastecimento e formação de preços estão cada vez mais interligados.
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