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Recuperação de metais em efluentes abre oportunidades para a mineração e a indústria metalúrgica

Estudos destacam o potencial de reaproveitamento de metais presentes em águas residuais, ampliando oportunidades de recuperação de matérias-primas e a eficiência dos processos industriais

Uma revisão científica publicada em 2026 na RSC Advances, revista científica de acesso aberto e revisada por pares, publicada pela Royal Society of Chemistry, destaca o potencial econômico e sustentável da transformar efluentes industriais em fontes secundárias de matérias primas, como ouro, prata, zinco, cobre, níquel, cobalto e outros metais.

O trabalho estudos que destacam que correntes de águas residuais de atividades como fabricação de eletrônicos, galvanoplastia e mineração possuem efluentes ricos em metais de alto valor agregado. Essa concentração, por vezes, mostra que o simples descarte pode resultar em uma perda financeira e material considerável.

Em alguns cenários, os metais concentrados nesses efluentes superam as quantidades encontradas em minérios naturais, com registros de cerca de 200 gramas de ouro por tonelada, em comparação com 5 a 30 gramas por tonelada em minérios convencionais. Embora o levantamento desses números considere condições específicas, o cenário ajuda a compreender o potencial da recuperação.

O Dr. Fabio Bento, especialista da Pensalab, explica que os números podem parecer pequenos quando se observa apenas um determinado elemento em um litro de efluente. No entanto, essa perda se torna mais significativa quando se considera o volume de água processado e descartado ao longo de um mês ou de um ano inteiro.

Em uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foram recuperados 98,6% do zinco, resultando em uma solução com 125,7 gramas de zinco por litro. Na mesma universidade, outro estudo investigou efluentes da mineração de ouro integrando processos de separação por membranas e resinas de troca iônica. A retenção alcançou mais de 99,2% dos metais e 99,9% da acidez. Uma das resinas apresentou adsorção de 98% de cobre, 57% de níquel e 23% de cobalto.

Essa recuperação de metais caminha ao lado das tendências voltadas à economia circular nos setores mineral e metalúrgico. Trata-se da transição para um modelo que gera valor agregado e atende a parâmetros ambientais. Essa abordagem reduz a pressão sobre a extração de recursos e reinsere materiais valiosos no ciclo produtivo.

A análise sobre a concentração de metais nos efluentes revela ainda a quantidade de materiais relevantes que escapam para a água durante os processos, abrindo margem para investigar como reduzir essa concentração e aprimorar as etapas industriais, de modo que a recuperação desses materiais deixe de ser menos crucial.

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